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Agenda

Evento Especial

Simpósio Haroldo de Campos 2017 - TRANSPOR FRONTEIRAS na literatura latino-americana

23/06 a partir das 19h.

Inscrições: 07 a 20 de junho de 2017.

 

Inscrições gratuitas
Vagas limitadas
Inscrições presenciais ou pelo e-mail:
crhc@casadasrosas.org.br
Será fornecido certificado de participação (com 75% de presença)



Emir Rodriguez Monegal, importante crítico uruguaio, escreveu nos anos 1970 que uma literatura é mais que uma coleção de escritores e suas obras; é um espaço crítico em que obras espelham umas às outras e participam de um diálogo com seus leitores. Monegal, então, afirmava que, neste sentido, a literatura latino-americana ainda estava constituindo esse espaço.

 

Por ocasião dos 40 anos da publicação do livro “Ruptura dos gêneros na literatura latino-americana” (1977), de Haroldo de Campos, o simpósio que anualmente lembra o legado deste grande autor, nesta edição, tratará dos diálogos e dos desencontros entre as literaturas brasileira e hispano-americana, bem como dos papéis exercidos pelas tradições e pelas rupturas na literatura de nossa América Latina.


Haroldo foi um autor muito empenhado na intensificação desse diálogo na literatura do continente. Ressalta em sua obra a reflexão constante – e que, ao longo dos anos, vai se tornando mais aprofundada e complexa – sobre a tensão entre história literária e momento literário; entre diacronia e sincronia e entre normatividade e exceção. Nestas tensões, vislumbra as contradições que impulsionam a nova criação. Passa a apontar que essas contradições expõem, também, a falência das concepções centralizadoras e normativas.


Nessa reflexão haroldiana sobre as tensões estruturais na literatura do continente, o tema do barroco adquiriu uma importância incontornável. Se a vinda, no séc. XVII, do barroco histórico para a América pareceu por muito tempo uma adaptação exótica daquela estética que recusava a mimese em favor do artifício belo e inverossímil, a persistência, no continente, de tantas marcas dessa profusão de signos ex-cêntricos e de cruzamentos de espaços e tempos desencadeou muitos estudos que buscam entender – com base não só na literatura e na arte, mas também apoiados na antropologia, nas ciências sociais, na semiótica, etc. – as relações mais imbricadas, no continente, entre natureza, cultura e sociedade.


Assim, a constituição do espaço crítico dessa literatura, hoje, demanda esforços interdisciplinares e o simpósio contará com a contribuição dos olhares de diversos campos de busca do conhecimento – a antropologia, as ciências sociais, a semiótica e os estudos literários – para buscar compreender importantes temas do espaço da literatura latino-americana como o barroco e o neobarroco, sociedades mestiças e ruptura de gêneros, os lugares e não-lugares da literatura negra e ameríndia, entre outros.


23 junho (sex),

 

Às 19h

Palestra 


ROBERTO ECHAVARREN
Barroco e neobarroco, de El sueño a Centralasia

O Barroco tem a ver com a descoberta de filósofos gregos céticos a partir da segunda metade do século XVI. Juana Ines de la Cruz, Montaigne, Pascal, Francisco Sánchez (de origem portuguesa) e Descartes articularam aquilo que podemos chamar episteme barroca. Esta episteme crítica estava ligada à poética do barroco, ao oxímoro e ao paradoxo, melhor formulados por Gracián. O neobarroco seria esta reflexão e absorção do barroco histórico, entendido como uma tomada de consciência sobre o caminho emancipatório europeu e latino-americano que nos faz modernos, com a capacidade de viver e julgar de uma forma não baseada em qualquer ideologia, mas no exercício público do pensamento.

Às 20h30
Leitura do poema Centralasia, de Roberto Echavarren, acompanhada da leitura de trechos da tradução para o português por seu tradutor, Ronald Polito.

Roberto Echavarren es poeta, narrador, ensayista y traductor. Entre sus libros de poesía, Centralasia, El monte nativo, El expreso entre el sueño y la vigilia, Ruido de fondo. Ensayos: El espacio de la verdad: Felisberto Hernández, Arte andrógino (Premio Ministerio de Cultura de Uruguay), Fuera de género: criaturas de la invención erótica, Michel Foucault: filosofía política de la historia, Margen de ficción: poéticas de la narrativa hispanoamericana. Novelas: Ave roc, El diablo en el pelo, Yo era una brasa. Crónica: Las noches rusas es una crónica acerca de la vida política y cultural de Rusia durante el siglo XX.

Ronald Polito é poeta e tradutor brasileiro. Em poesia, publicou Ao abrigo, Terminal e De passagem, entre outros. Publicou, ainda, estudos sobre Tomás Antônio Gonzaga e fez estabelecimento de textos de Silva Alvarenga, Santa Rita Durão e Joaquim Manuel de Macedo, entre outros. Traduziu poetas de língua castelhana (como José Juan Tablada, José Kozer, Roberto Echavarren, Victor Sosa, Mario Arteca, Jorge Tamargo e Soleida Ríos), e de língua catalã (de Ramon Llull até escritores contemporâneos, como Joan Brossa, Carles Camps Mundó e Narcís Comadira).

24 junho (sáb)

 

Às 10h30

Mesa - Deslocamentos

VIVIANA GELADO
Superação das linguagens exclusivas? Debates em torno ao afro nos movimentos de vanguarda na América Latina

Retomando parte do referencial teórico do ensaio de Haroldo de Campos, pretendo articular uma reflexão em torno aos debates que, sobre a "moda do negro" e o primitivismo (e sua consequente externalidade/marginalidade em relação à cultura latino-americana), travaram diversos poetas e grupos de vanguarda entre 1930 e 1940.

Viviana Gelado é doutora em Teoria e História Literária (Unicamp). Realizou pós-doutorado na Univ. de Princeton (bolsa CNPq). É professora do Instituto de Letras da UFF em graduação e pós-graduação. Foi pesquisadora visitante no Instituto de Estudos do Caribe (Univ. de Porto Rico) e no Centro de Pesquisas Literárias de Casa das Américas (Havana, Cuba); bem como professora e pesquisadora visitante na UNAM (México) e na Univ. de Northwestern (EUA). Publicou Poéticas da transgressão: vanguarda e cultura popular nos anos 20 na América Latina (Prêmio Jabuti, Crítica literária, 2007).

IDALIA MOREJÓN ARNAIZ
A poesia brasileira em revistas: um relato cubano com final feliz.

Ao revisar a coleção de importantes publicações cubanas surgidas entre os anos 40 e 60 do século XX, como Orígenes, Ciclón, Casa de las Américas e Lunes de Revolución, surge a questão da (in)visibilidade da poesia brasileira nessas revistas. Sobre as oscilações da sua trajetória cubana tratará este relato, cuja promessa de “final feliz” pode ser avistada na revista Diáspora(s), no final dos anos 90.

Idalia Morejón Arnaiz é poeta, tradutora e professora de literatura hispano-americana da Universidade de São Paulo, onde também dirige o selo editorial Malha Fina Cartonera. É autora dos livros: Cartas a un cazador de pájaros (2000), Política y Polémica en América Latina (2010), Una artista del hombre (2012), La reina blindada (2014) e Caderno de vias paralelas (2015).


Às 14h30
Mesa – Literatura e cultura

AMÁLIO PINHEIRO
Relações entre natureza/cultura e o hibridismo de linguagens e gêneros na América Latina

Haroldo de Campos ressalta, em "Ruptura dos gêneros na literatura latino-americana", entre outros textos, uma especial relação, no continente, entre processos de mestiçagem barroquizantes e processos criativos da natureza/cultura, de que deriva uma "devoração antropofágica" não apenas autoral, mas desdobrada nos objetos e texturas do próprio ambiente/paisagem.

Amálio Pinheiro é poeta, tradutor e professor no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP. Coordena o Grupo de Pesquisa “Barroco e Mestiçagem”, no qual se investigam as relações entre as áreas de literatura, comunicação e cultura na América Latina. Publicou, entre outros, César Vallejo: o abalo corpográfico, Aquém da identidade e da oposição. Formas na cultura mestiça e América Latina – Barroco, cidade, jornal.


SERGIO MEDEIROS
Sexo interespécies na literatura ameríndia


Os mitos cosmogônicos dos povos indígenas situam, na origem do mundo e da sociedade, vários tipos de relações interespécies. A partir de três grandes textos ameríndios -- "Popol Vuh", "O Manuscrito de Huarochiri" e "A lenda de Jurupari" -- é possível traçar, em linhas gerais, as forças atuantes, inclusive as eróticas, nessa intensa aproximação entre humanos e inumanos, que a literatura indígena propõe.

Sérgio Medeiros é poeta, ensaísta, tradutor e professor de literatura na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Publicou, entre outros livros, "A formiga-leão e outros animais na Guerra do Paraguai" (ensaio) e "A idolatria poética ou a febre de imagens" (poesia). Traduziu, com Gordon Brotherston, o poema maia-quiché "Popol Vuh". Colabora no jornal "O Estado de S. Paulo".

Às 17h
Mesa – Haroldo em trânsito

GÊNESE ANDRADE
O lugar da Ruptura dos gêneros... nos diálogos de Haroldo de Campos com os hispano-americanos

Na palestra será apresentada uma reflexão sobre o lugar que o referido ensaio ocupa na crítica de Haroldo de Campos em seu conjunto e com relação aos diálogos que o poeta-crítico estabeleceu com o universo literário hispano-americano antes e depois da publicação desse texto.

Gênese Andrade é mestre e doutora em Literatura Hispano-Americana pela USP. Realizou o pós-doutorado em Literatura Comparada na Unicamp, com o tema “Haroldo de Campos e os hispano-americanos”. Autora, entre outros, de Modernismo brasileño y vanguardia uruguaya (com Pablo Rocca; 2006), Pagu / Oswald / Segall (2009), Vicente do Rego Monteiro (2013), além de artigos publicados no Brasil e no exterior. Dirigiu o Centro de Referência Haroldo de Campos em 2010 e 2011. Atualmente é professora de Literatura da Faap e atua também como tradutora.


JASMIN WROBEL
Big-bang e babelbarroco – cosmologias entre tradição e ruptura na poesia latino-americana


Na sua obra teórica, o autor cubano Severo Sarduy parte da ideia de uma “solidariedade epistemológica” entre a cosmologia e a arte. Esta comunicação pretende mostrar como essa ideia já foi antecipada na obra crítica e poética de Haroldo de Campos nos anos 50 e 60. Analisa os textos mais paradigmáticos dos dois autores sob um ângulo comparativo e contextualiza as obras do cubano e do brasileiro na frutífera tradição de “cosmopoesias” na literatura latino-americana. 

Jasmin Wrobel é docente e assistente de pesquisa no Instituto de Estudos Latino-Americanos (LAI) da Freie Universität Berlin (FU Berlin), onde trabalha na área das literaturas e culturas latino-americanas. No seu  projeto de doutoramento, desenvolveu pesquisa sobre o livro "Galáxias", de Haroldo de Campos. Publicou vários artigos sobre a  relação do poeta brasileiro com os escritores e intelectuais hispano-americanos e também sobre a "cosmopoética" haroldiana.

CASA DAS ROSAS
ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA
+55 (11) 3285.6986 | 3288.9447 contato@casadasrosas.org.br
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Domingos e Feriados, das 10 às 18h.
(Passível de alteração, de acordo com a programação).